Não fique parado

Todo semestre, a Unisinos promove um evento chamado Propaganderia, no qual os alunos do curso de Publicidade e Propaganda recebem briefings específicos para cada disciplina. No final de 2009, nossa missão era transmitir aos colegas universitários a importância de se investir em horas complementares. Pode parecer besteira, mas o fato é que muitos chegam a cursar uma disciplina a mais ao final do curso por não terem atingido as meras 180 horas de atividades complementares exigidas pelo MEC.

Ainda estudante de ensino médio, participei de várias oficinas em meus últimos anos escolares, dentre elas o Junior Achievement e a Oficina de Cinema. Mais tarde, no início do curso de gradução, fiz questão de procurar um estágio em minha área de trabalho; antes mesmo de começarem as primeiras aulas, já estava trabalhando em um pequeno bureau de criação publicitária. Concomitante ao trabalho e aos estudos, procurei incrementar meus conhecimentos buscando cursos complementares, dentro e fora da universidade.

Sem sombra de dúvida, todas estes oportunidades abriram portas e me tornaram uma pessoa mais capaz, tanto em nível pessoal como profissional. Conheci pessoas fantásticas, tanto no corpo docente como entre os alunos, criando diversas oportunidades. E engana-se quem pensa que, para isso, é preciso investir mundos e fundos. São muitos os cursos e eventos gratuitos, de boa qualidade e com excelentes profissionais; basta dedicar alguns minutos na semana para pesquisar e fazer este investimento na carreira. Para finalizar, deixo algumas dicas de onde iniciar a pesquisa:

Agora é a sua vez: complemente esta lista e divida suas experiências extra curriculares. O que não vale é ficar parado.

Crescimento com encantamento

Na noite desta segunda-feira, a ESPM/Porto Alegre recebeu o CEO das Lojas Renner, o gaúcho José Galló. Hoje com mais de 10.500 funcionários, 118 lojas e valor de mercado superior a R$ 2,6 bilhões, as Lojas Renner figuram como a segunda maior rede de varejo de roupas do país, atrás apenas da C&A.

Lojas Renner

A Renner é uma organização voltada para o cliente, mas não no sentido clássico de apenas satisfazer suas necessidades. Com foco sobretudo no público feminino, responsável por 75% a 80% do faturamento, a rede se mobiliza em constantemente superar as expectativas de seus clientes, criando situações de encantamento, como chamam. Para isso, Galló reforça a importância de 4 etapas-chave:

  1. Saber quem é seu cliente;
  2. Descobrir o que ele deseja;
  3. Ser o melhor no que se faz;
  4. Fazer certo na primeira vez.

Por meio de pesquisas de mercado, constataram que a mulher moderna, trabalhadora, apesar de contribuir com dinheiro na família, destina parte de seu salário para si. Com base nisto, a Renner adotou a segmentação por estilo de vida, criando diversas marcas e coleções dirigidas a públicos específicos: Marfino (casual), Blue Steel (jovem), Cortelle (neo-tradicional), Just Be (sensual) e Request (contemporânea).

Essa orientação parece estar no caminho certo, visto que desde 1999, com a quebra de duas grandes redes varejistas –Mapping e Mesbla–, a Renner acumula um crescimento de 424%, muito a frente dos seus principais concorrentes: C&A e Riachuelo. As cinco maiores redes de vestuário detém apenas 12% do mercado formal, ou 6% se considerarmos também o mercado informal. Ou seja, é um mercado bastante promissor. Além disso, a concessão de crédito é fator-chave para o sucesso da organização; são mais de 14,5 milhões de cartões emitidos, 40% deles ativos atualmente.

Galló também ressalta a importância da valorização dos colaboradores. Além de envolver e motivar toda a empresa, é preciso que todos tenham uma visão muito clara do porquê estão ali, isto é, a visão de negócio da empresa. Para que isso funcione, também é preciso delegar autoridade total aos funcionários, dando poder para que eles realmente possam resolver os problemas dos clientes. Entre outros mecanismos, a Renner utiliza cliente oculto, campanhas motivacionais, PPRs e Pesquisas de Clima em suas operações. O presidente afirma que uma loja com bom nível de clima tem resultados de 15% a 20% superiores. Outros canais de endomarketing incluem jornal e canal de TV internos, além do Café com o Presidente.

A espanhola Zara é considerada benchmark para a rede gaúcha. Se considerássemos preço × apelo de moda, ela estaria no topo, segundo a Renner, que por sua vez estaria logo abaixo, porém à frente da concorrência. Ou seja, Galló acredita que a Renner tem um preço mais competitivo, e com maior apelo de moda que C&A, Riachuelo e Marisa.

Mesmo estando no comando da empresa há bastante tempo, Galló afirma que não é preciso se preocupar com os mais de 8 mil acionistas da empresa, sendo 4, em cada 10, americanos. “Basta continuar fazendo um bom trabalho, trazendo bons resultados”, finaliza.

Doctor Clin estreia grande campanha

Ganhou as ruas esta semana a campanha “A Doctor Clin não pode ajudar você em tudo”, da Doctor Clin. Com anúncios para jornal, revista e TV, além de mídia in e outdoor, a empresa consolida seu reposicionamento no mercado com humor e irreverência.

A Doctor Clin é uma operadora de saúde em forte expansão no mercado gaúcho, tendo triplicado sua base de beneficiários nos últimos 4 anos. Atrelado a este crescimento está a ampliação de benefícios aos clientes, como maior oferta de hospitais e especialistas credenciados.

O desafio desta campanha foi cristalizar este momento da empresa, cuja ideia central é que a Doctor Clin não pode resolver todos os problemas do mundo, mas em se tratando de saúde, ela tem tudo. Tenho orgulho de ter participado na criação e no planejamento desta campanha, junto aos colegas da Fire Multicom.

Doctor Clin - Fabinho

Doctor Clin - Vanessa

Doctor Clin - Antônio


Ficha técnica:
Direção de Criação: Fernando Rosa
Criação: Anderson Mello, Davi Matzenbacher, Fernando Rosa, Júlio Kley e Pedro Balsemão
Fotografia: Christian Jung
Manipulação: Gariba
Aprovação: Marcelo Dietrich e Morgana Oliveira

Empresa Criativa

Acabei de ler um livro fantástico. Empresa Criativa, escrito por Andy Law, sócio-fundador da agência de comunicação londrina St. Luke’s. Já aviso de antemão que, apesar de ter a publicidade como pano de fundo, o livro vai muito além, pois trata da construção de uma empresa na Era da Criatividade.

A St. Luke’s nasceu a partir da fusão da Chiat/Day (reponsável por campanhas memoráveis, como a “Think Different”, para a Apple) com o grupo TBWA\. Sua unidade inglesa, descontente e desmotivada com a decisão vinda “de cima para baixo”, se mobilizou em torno de um ideal: criar um lugar fascinante para se trabalhar.

Andy Law narra o nascimento de uma empresa que foi de encontro a quase qualquer regra do mundo corporativo, especialmente aqueles em voga na publicidade. Uma empresa que estivesse preparada para entregar um trabalho fantástico, que apostasse e centrasse seu modus operanti em torno da criatividade. Ao longo do livro, Andy aborda as dificuldades e imprevistos encontrados, além das lições aprendidas com seus os erros:

Dez maneiras de fazer uma revolução em sua empresa

  1. Pergunte-se o que você quer da vida.
  2. Pergunte-se o que realmente importa para você.
  3. Doe todas as suas roupas de trabalho para uma instituição de caridade e vista o que você acha que é a sua cara.
  4. Converse com as pessoas (mesmo com aquelas de que você não gosta) sobre os números 1 e 2. (A essa altura, você deve estar se sentindo muito incomodado. Pode até estar enjoado. É normal)
  5. Abra mão de algo de que você precisa muito para trabalhar (mesa, carro da empresa etc.).
  6. Confie em todos que você conhecer. Honre todos os acordos que fizer. (Você deve estar se sentindo um pouco melhor agora.)
  7. Passe por uma experiência em grupo (vale tudo: pára-quedismo, férias…).
  8. Refaça seu plano de negócios para alinhar todas as maneiras acima com seus clientes.
  9. Desenhe uma linha no chão do escritório e convide todos para um admirável mundo novo.
  10. Divida tudo o que você faz e tem de maneira justa com todos que cruzarem a linha. (Você deve estar se sentido livre. Logo, terá as seguintes coisas, nesta ordem: cliente gratos, funcionários inspirados, comunidades amigas, dinheiro)

O livro é tão fascinante e inspirador quanto a própria St. Luke’s. Nela, todos, absolutamente todos os funcionários são sócios. Da senhora que cuida da limpeza ao diretor de criação. Você trabalha numa empresa que é sua; logo, como tudo que é seu, irá tratar tudo com maior cuidado e empenho. Não existem mesas ou computadores pessoais — tudo é compartilhado.

Além disso, a empresa subdivide-se em pequenos grupos menores e independentes, de até 35 pessoas, conforme seu crescimento. Este número, segundo o autor, é o máximo que as pessoas conseguem assimilar e manter relações extremamente fortes entre si. Se uma pessoa faltar, você não ficará pelos cantos reclamando sua ausência, como muito ocorre, mas, pelo contrário, ligará para ela, ou até enviará flores, em caso de doença. E ninguém se importaria de assumir a função da telefonista, se ela é muito próxima de você.

Uma obra cheia de insights e provocações úteis não só para a propaganda, mas para qualquer tipo de negócio.

Maiores e melhores para se trabalhar

Para muitos, o objetivo profissional é estar e crescer dentro de uma grande empresa. Outros buscam empresas reconhecidas por um ambiente agradável e boas práticas de trabalho. Listas estão aí para isso. Confira duas relações elaboradas pelas revistas Amanhã e VOCÊ S/A:

A propósito, quando considerando emprego, a aposta nas mídias sociais tem demonstrado bastante eficácia, como abordado em reportagem do jornal Zero Hora. Basta ver a presença digital de certas empresas de seleção e recrutamento, como o Grupo Foco.

Um pouquinho mais além:

Posts antigos »